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Steve Jobs para um raro “não-cliente”

Homenagem a Steve Jobs - Apple.com

Num mundo dominado por produtos criados por Steve Jobs e sua Apple, sinto-me cada vez mais como um alienígena, por não ser usuário de nenhum dos principais produtos da venerada empresa, que dominou o mundo na última década, e especialmente nos últimos 4 anos, tornando-se empresa mais valiosa do mundo, quando superou a poderosa gigante do petróleo ExxonMobil, no último mês de agosto. Apesar desta liderança ter sido breve, a Apple continua na cola da líder, e mesmo com o recente desempenho de menor crescimento na sua valorização demonstrar uma tendência (o que curiosamente vem causando a mudar de ação growth para value no jargão de Wall Street), tudo leva a crer que ela irá consolidar-se como a empresa mais valiosa do mundo no futuro próximo. Este link do Google Finance (precisa clicar no x do item Dividend Yield para aparecer a Apple) mostra as maiores empresas do mundo, com diversas métricas de desempenho financeiro, onde a Apple figura entre as líderes em praticamente todos os quesitos.

Um fato que para muitos deve ser curioso em relação a Jobs é a verdadeira origem de sua fortuna pessoal, estimada entre 7 e 8 bilhões de dólares. A grande parte desse montante (4,5 a 5 bilhões) está em ações da Disney, gigante do entretenimento onde ele é o maior acionista individual. Suas ações da Apple valem “apenas” cerca de 2 bilhões de dólares. Jobs tornou-se o maior acionista da Disney quando vendeu seu estúdio de animação, o espetacular Pixar, em 2006, por uma verdadeira fortuna, e desde então faz parte do Conselho de Administração da empresa.

Mas voltando à minha primeira frase deste post, que me coloca como um estranho neste mundo de maçãs por todos os lados. Devo ser a única pessoa que jamais comprou um produto Apple, ao menos para uso pessoal. A Chris ganhou de aniversário da mãe dela um iMac no ano passado, e havia uma promoção que oferecia um iPod Touch gratuitamente, na Apple Student Store. Portanto de uma tacada, minha casa ganhou dois produtos Apple, que juntaram-se a um iPod Shuffle que ganhei (acho que em 2007) em uma Festa Junina na Chapel, escola onde minha cunhada Cristina é professora. Este meu iPod fica na minha mochila e devo ter usado umas 10 vezes na minha vida. Sou obrigado e confessar que comprei meia dúzia de apps na App Store, para o “nosso” iPod, que na verdade é um produto utilizado 90% do tempo pelos meus filhos, beneficiários destes apps por mim adquiridos.

Escrevo este post no meu velho laptop PC (Lenovo ThinkPad T61), quando converso com alguém faço isso no meu Blackberry, que também me serve muito bem para envio e leitura de e-mails, navegação GPS na estrada, Foursquare, etc. Meu pai já tentou me dar um iPad de presente umas quinhentas vezes, mas sempre recuso, pois sinceramente não vejo quase nenhuma utilidade neste produto. Não sou idiota a ponto de não achá-lo muito cool, mas ainda não me convenci a comprá-lo (ou aceitá-lo como presente). Não sei até quando resistirei a esta avalanche, pois devo trocar meu PC em breve, e os MacBooks sempre pintam como fortes concorrentes na briga pela minha preferência. Incrivelmente, meu primeiro contato com produtos de Jobs ocorreu há muito tempo, quando muitos de vocês nem tinha nascido ou ouvido falar da Apple. Meu pai, sempre um visionário, comprou um Apple IIc logo que foi lançado, por volta de 1986. Este pequeno notável foi um grande sucesso da empresa, e não me lembro de haver outro entre nossos conhecidos no Brasil. Como sempre foi o mais tecnológico da família, meu irmão era quem mais usava o computador, que ficava no quarto dele, mas sempre jogávamos juntos e fazíamos programas em BASIC, o que era divertido e ao mesmo tempo um desafio para nós. Anos depois me lembro que meu pai comprou um Macintosh, mas este foi um verdadeiro fracasso, ninguém sabia lidar com o aparelho, e logo encostamos. Não sei se foi o Macintosh Plus, II ou LC, mas lembro que foi um fiasco para nós.

Desta forma, como não sou uma das muitas tietes (e perdoem-me, agora viúvas :-() de Steve Jobs, muitas entre os poucos leitores deste singelo blog, não ficarei chorando ou desesperado, nem direi o quanto ele afetou minha vida, pois como descrevi acima, não sou usuário de seus produtos. Mas é aí que me pego em contradição, pois o gênio deste homem teve sim grande impacto na minha vida, pois sou um dos maiores fregueses da Disney. Não conheço ninguém que consome mais ESPN (empresa do grupo Disney) do que eu e agora meu fiel companheiro de transmissões esportivas Rafael, e quando a TV de casa não está nos canais esportivos da emissora, provavelmente está sintonizado na Disney Channel, onde a Helena assiste Wizards of Waverly Place, Good Luck Charlie, ANT Farm ou os novos Shake It Up e Jessie. A Chris tem direito sobre o controle remoto nas manhãs e noite, mas geralmente assiste os canais onde estão suas séries favoritas, CBS com The Good Wife e Criminal Minds ou NBC com Law & Order: SVU. Para finalizar, minhas últimas (na verdade a maioiria delas) viagens de lazer tiveram o mesmo destino, Orlando, quando compramos apenas ingressos para os parques da Disney.

Mas seu impacto na Disney é ínfimo, então chego ao ponto onde Jobs me vence. Adoro todos os desenhos animados da Pixar, assisti a quase todos no cinema (os últimos com meus filhos) e possuo quase todos em DVD, que já estão gastos de tanto assistirmos. A Pixar mudou a forma como assistimos desenhos, pois além de Jobs tem outro gênio, John Lasseter, no seu comando, o verdadeiro criador da empresa na parte de conteúdo. Se compararmos os desenhos Pixar com aqueles exclusivamente Disney nos últimos períodos, vemos que a Pixar consegue mesclar tecnologia de ponta com histórias que realmente emocionam e tocam nossos corações, independente de nossa idade ou cultura. Toy Story 3 e Up são infinitamente superiores aos “rivais” The Princess and the Frog ou Tangled.

Steve Jobs foi um fenômeno que passou por este planeta, jamais satisfeito com normas e costumes, e disposto a revolucionar e melhorar a vida das pessoas, na maioria das vezes com o objetivo de torná-la mais simples e divertida, e é por isso que ele foi este ídolo e exemplo para todos nós.

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