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Hoje é sexta-feira, dia de Cerveja !

Blue Moon

A deliciosa cerveja Blue Moon - facebook.com/bluemoon

Em homenagem a esta bela, e já um pouco fria sexta-feira de outono aqui em Charlottesville, falarei sobre uma de minhas maiores paixões, a cerveja. Esta maravilha da humanidade, inventada há cerca de oito mil anos e presente em praticamente todas as nações e culturas, vem tornando-se cada vez mais presente na vida social das pessoas, devido à imensa variedade oferecida no mercado, que coloca grandes conglomerados multinacionais como Anheuser-Busch InBev, SABMiller, Heineken, Grupo Modelo, Asahi e Carlsberg ao lado de pequenas e médias cervejarias como minhas favoritas Blue Moon, Samuel Adams e a local Starr Hill, permitindo aos amantes da cerveja a oportunidade de experimentar diversos tipos, formatos e preços desta adorável bebida.

Fui pesquisar as estatísticas sobre o consumo mundial de cerveja, e fiquei surpreso e contente com o crescimento do Brasil neste mercado, consolidando-se recentemente como a terceira nação que mais consome cerveja no mundo, atrás da China e dos Estados Unidos. Ainda estamos longe no ranking de consumo per capita, mas já não somos motivo de piada entre os cervejeiros do mundo. O brasileiro consome cerca de 60 litros de cerveja por ano, o equivalente a 100 garrafas de 600ml por pessoa. Com certeza muitos dos meus leitores consome bem mais que isso. Eu creio que deva consumir pelo menos uns 100 litros por ano. A República Tcheca é o país com maior consumo per capita anual, com cerca de 140 litros de cerveja por pessoa. Aqui vai outro link interessante sobre este assunto.

O acesso a diversas variedades de cerveja, e principalmente a preços que considero justos, é uma das maiores vantagens que tenho por morar nos EUA ao invés do Brasil, onde a oferta vem melhorando a cada ano, mas o preço cobrado por cervejas importadas torna o consumo impossível, o que impede que seja possível experimentarmos diversas marcas e tipos de cerveja no dia-a-dia. O surgimento de boas cervejarias de menor porte, como Baden Baden e Eisenbahn, minimiza este sofrimento, mas é inegável a diferença de qualidade entre as cervejas brasileiras e as européias, portanto ainda falta muito para o brasileiro neste sentido, o que é uma pena.

Há alguns anos que sou consumidor da Samuel Adams, que considero a principal cerveja entre aquelas de posicionamento médio, abaixo das premium, pois possui ótima qualidade e interessantes variações temáticas, conforma a estação do ano, experimentando sabores curiosos e oferecendo as cervejas em caixas mistas, facilitando o consumo e a experimentação. Atualmente eles estão com o tema da colheita e Octoberfest, com cervejas um pouco mais encorpadas, e logo chegarão com as pesadas cervejas de inverno. Nunca gostei de cervejas simpels e aguadas, e logo que cheguei nos EUA comecei a beber a Yuengling, boa cerveja altamente superior às oferecidas pelas gigantes, mas com preço apenas um pouco superior, portanto uma boa opção para o consumo mais frequente. É a cervejaria mais antiga dos EUA, fundada em 1829, no Estado da Pensilvânia.

Com o passar do tempo, comecei a experimentar diversas brejas, seja da América ou Europa, e aqui em casa fazemos experiências quase toda semana, e mantemos nosso estoque com novidades ao lado das nossas favoritas. Misturo tradicionais pilsens européias como Pilsner Urquell e Grolsch com as quase milenares e diferenciadas belgas Leffe e Hoegaarden, juntamente às sempre deliciosas inglesas Bass, Newcastle e a cremosíssima Boddingtons, uma das minhas favoritas e que quase sempre tenho na geladeira.

Por fim, devo ressaltar que, mesmo levando grande vantagem noa cesso a estas maravilhosas cervejas, nenhum lugar do mundo possui o maravilhoso chopp do Brasil, que me faz grande falta por aqui, especialmente nos intermináveis dias de calor do severo verão americano. Aproveitei para tomar muito chopp na minha última visita ao Brasil, para as festas de final de ano, mas já estou com saudade desta maravilha tupiniquim. Recomendo que visitem o site Brejas, criado por amantes da bebida na cidade de Campinas, que oferece uma enciclopédia sobre diversas cervejas, com avaliações de especialistas e consumidores, inclusive eu, que me cadastrei recentemente para avaliar algumas das minhas favoritas.

Onde comer o melhor hamburger na América ?

Royal Red Robin Burger®

O hamburger é considerado o prato oficial dos Estados Unidos, e apesar de haver certa dúvida quanto à veracidade desta afirmação, a presença deste sanduíche entre os principais alimentos dos americanos é incontestável. Ele está presente no dia-a-dia dos americanos, seja na cantina das escolas, no churrasco de domingo, no tailgate por todo o país antes dos jogos de futebol americano ou nas dezenas de milhares de lanchonetes de fast-food que pipocam em cada esquina do país.

O burger (aqui ninguém usa hamburger) pode ser encontrado em praticamente todo restaurante do país, inclusive em alguns dos mais sofisticados de New York, mas aqui vou discutir sobre aqueles oferecidos por cadeias especializadas neste sanduba. Não entram neste grupo os fast-foods espalhados pelo país ou até mesmo os regionais (McDonald’s, Wendy’s, Burger King, Sonic, Carl’s Jr., Jack in the Box, In-N-Out, Fatburger, Whataburger, Steak ‘n Shake entre outros) que são praticamente iguais, e nem aquelas lanchonetes com uma ou poucas filiais locais. Só para constar, não conheço todas estas cadeias que listei acima, mas entre as que já experimentei, meu favorito é o burger quadradinho do Wendy’s. Vou comentar sobre três das minhas cadeias favoritas, que oferecem o burger como o carro chefe, e cada uma de forma distinta, mas todas com sanduíches espetaculares.

O primeiro deles chama-se Fuddruckers, onde já sou freguês há mais de 20 anos, desde quando morei em Miami em 1990. Era cliente assíduo da filial que ficava ao lado do shopping The Falls, e que infelizmente não existe mais. Estive pela última vez há pouco mais de um ano, na filial de Orlando, que fica próxima do Downtown Disney. Tenho a impressão que a rede está um pouco caída, pois muitas lojas fecharam, e nas últimas visitas que fiz, as lojas estavam relativamente vazias e com cara de fracasso. Apesar disso, os burgers continuam fora de série, e um dos charmes da rede está no fato do cliente pedir apenas a base do burger no caixa, e depois “montá-lo” com os condimentos que desejar, no mega buffet que inclui diversos tipos de verduras, molhos, queijos e temperos.

O próximo e delicioso burger é do Five Guys, uma rede relativamente nova mas que cresce assustadoramente pela costa leste dos EUA. Com origem aqui do meu lado em Washington, DC, a rede está fortemente presente na Virginia, e Charlottesville possui três filiais na cidade. O segredo deles está na altíssima qualidade dos produtos e o cardápio extremamente enxuto, que propicia uma eficiência no serviço e processo simplificado e rápido. A decoração das lojas é muito simplese sempre aparenta estar suja (o que não é verdade), pois eles oferecem amendoins como cortesia para os clientes comerem enquanto aguardam seus burgers, e muita gente joga ou derruba as cascas no chão. As opções são burgers com uma ou das carnes, com queijo ou bacon. O cliente ainda pode incluir diversos condimentos, todos incluídos no preço, que vão dos tradicionais ketchup, mostarda e maionese a pimentão, cebola, cogumelos entre outros. Ainda oferecem hot dogs e batatas fritas excepcionais, sempre fresquinhas e cortadas em cada loja, e todas vindas de Idaho, estado que produz as melhores batatas do país. O lanche é muito bom e sempre me deixa muito contente a cada visita.

Para finalizar, meu favorito, que é o burger da foto acima, o Royal Red Robin Burger® da cadeia Red Robin. A rede foi criada em Seattle em 1969, e hoje possui 450 lojas ao redor do país. Conheci a primeira há três anos, quando visitava sozinho a Carolina do Norte e, precisando fazer hora antes de ir para o aeroporto, decidi experimentar este local que me parecia agradável. Adorei meu sanduíche, meu shake de chocolate e também o ambiente, muito bem decorado e descontraído. Para minha sorte, quando mudei-me para Charlottesville, me deparei com uma filial da rede no principal shopping center da cidade. Desde então, há dois anos e meio, invariavelmente visito o Red Robin, pois meus filhos adoram, e todos os amigos ou parentes que level saem com ótima impressão, a mesma que tive quando experimentei a primeira vez. Sou uma pessoa que gosta de arriscar e conhecer novos pratos, e até testei alguns no Red Robin, mas faz algum tempo que não consigo deixar de pedir o querido burger da foto. É o carro chefe da casa, e o burger perfeito, pois é um clássico e muito bem feito. É o verdadeiro cheese-salada bacon egg, acompanhado de fritas. Da última vez que fui, na sexta-feira passada, a garçonete me disse que eles agora permitem trocar as fritas por uma saladinha, o que para mim foi perfeito, pois mandei uma bela Caesar Salad com meu burger. A má notícia para os brasileiros é que eles não possuem lojas em New York, Miami ou Orlando, destino de 99% dos brasileiros aqui nos EUA, mas caso estejam em outra cidade, chequem o site e visitem um Red Robin, pois garanto que vocês sairão muito contentes.

Prazeres da Carne

Fogo de Chão

Fachada em Washington, DC e Costelão - Site: Fogo de Chão

Na última sexta-feira, estive em Washington, DC, onde passei o final de semana. A Chris precisava renovar o passaporte, e minha sogra retornaria ao Brasil no sábado à noite, desde o aeroporto de Dulles, portanto decidimos viajar na sexta de manhã, pois são apenas 2 horas e meia entre Charlottesville e o centro de DC (ninguém diz Washington por aqui).

Encontrar a foto oficial do nosso ilustríssimo presidente logo na entrada do Consulado não foi uma surpresa agradável, mas tenho que admitir que o Consulado é bonito, limpo e confortável, com funcionários atenciosos. A informação oficial era de que as senhas para renovação de passaporte são entregues diariamente até as 13 horas, e chegamos ao local às 11 horas. Por sorte, a Chris conseguiu pegar a senha, pois em 15 minutos foi colocado um papel dizendo que não haveriam mais senhas naquele dia. Acho que eu quebrava o quadro com a foto do barbudo se perdesse esta oportunidade !!! No começo houve demora, pois havia apenas um atendente para passaportes, e o guichê tinha uma família de quatro pessoas. Mas após 30 minutos, adicionaram um novo atendente e conseguimos resolver este pepino às 12h30.

Tenho que agradecer meu filho Rafa pela escolha do restaurante, pois o moleque só pensa em comer carne, e convenceu a mãe e a avó que o Fogo de Chão era a pedida para o almoço. Esta foi a minha terceira visita ao Fogo de Chão – DC, e em cada uma delas comi melhor que na anterior. Não sei se foi sorte, ou o fato de estar mais faminto, mas acho curioso. Sou fã de carteirinha do Fogo de Chão de São Paulo, e os americanos, apesar de muito bons, não podem ser comparados com os do Brasil.

O buffet de saladas daqui é bom, mas bem mais simples do que o brasileiro. A rede possui 16 restaurantes nos EUA, e o ponto alto é que consegue obter e preparar picanha e fraldinha praticamente iguais às do Brasil. Outro destaque vai para o pão de queijo e a polenta, e especialmente ao Creme de Papaya, outro favorito do Rafa, mas infelizmente as semelhanças acabam por aí.

A linguiça, carro-chefe em qualquer churrasco, é um desastre. A desculpa, verdadeira, fica no fato de que é impossível achar uma linguiça que preste nos EUA. Outro problema, para os que gostam, está na inexistência de coração de frango e carpaccio no buffet de saladas, e a explicação é que os americanos não apreciam carne crua (verdade) e iguarias “estranhas” como o coração.

Em contrapartida, eles oferecem uma banana caramelizada, com açúcar e canela, que para os que gostam (não é o meu caso), parece excelente, superior à banana à milanesa servida no Brasil. Neste caso, a cliente é a minha filha Lelê, que troca as carnes pela fruta.

Finalmente chego ao principal corte do Fogo de Chão, a maravilhosa costela. Quem já esteve em um dos restaurantes de São Paulo sabe que o costelão é tratado com especial carinho e atenção, sendo servido por garçons exclusivos, com certa pompa. Aqui em DC, a costela nunca aparece no salão, mas como sempre fico amigo dos garçons, chega um momento que os chamo e peço por ela. Desta vez, conversando com o garçon que já estava meu amigo desde minha visita em maio, no aniversário do meu pai, falei: – Eu gostaria do costelão !!! Ele não conteve a risada e disse: – Costelão ??? Logo me lembrei que, apesar de muito bem feita e deliciosa, a costela daqui é pequenina, razão pela qual ele sorriu com meu pedido.

Para finalizar, a melhor dica de todas. O público americano, com exceção de almoço de negócios, frequenta restaurantes basicamente no jantar, e a grande maioria dos estabelecimentos tem uma grande distinção em ofertas e preços entre os períodos. No Fogo de Chão, ela é bem grande, pois o almoço custa US$32.50, enquanto o jantar custa US$49.50. Levando em conta o preço do rodízio em SP e a diferença cambial, o almoço no Fogo de Chão de DC é uma ótima barganha. Especialmente para mim, que não paguei nas duas últimas visitas.

Alguém se oferece para me levar lá nos próximos meses ?

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