Category Archives: Vôlei

Sumiço

Voltei. Após quase um mês desaparecido do meu querido blog, encontrei um tempinho para esta prazerosa atividade. E o pior é que neste período aconteceram inúmeros fatos que normalmente seriam tratados com destaque aqui no blog, mas que infelizmente não pude apresentar.

Desde minha última aparição em 17 de junho, viajei para Orlando (de carro, totalizando mais de 2,5 mil km em 8 dias), Washington e Virginia Beach, arrumei um novo escritório provisório durante o Summer aqui em Darden, participando de diversas palestras, almoços, coquetéis, reuniões e conference calls, e tentei acompanhar como pude as competições esportivas e acontecimentos mundiais no meio disso tudo. Não pude dar a merecida atenção para nossa hóspede que está prestes a retornar ao Brasil (minha sogra), e provavelmente acontecerá o mesmo com outra que chega na próxima segunda-feira (minha mãe).

Perdi a oportunidade de oferecer minhas magníficas previsões para a Copa América e o Mundial Feminino. Após os jogos desta noite, que encerram a primeira fase, darei meus pitacos sobre a fraquíssima competição sulamericana, mas no caso da competição feminina já estamos coma  final definida. Creio que os EUA vençam o Japão com certa facilidade. Meu palpite original seria de título para as anfitriãs (Alemanha), alcançando o tricampeonato. Pouco assisti a partida entre Brasil e EUA, por estar na estrada, mas acompanhei pela ESPN no BlackBerry e, infelizmente, não me surpreendi com o resultado, pois as brasileiras sempre amarelam contra as ianques.

O ponto curioso foi comparar os comentários nos dois países, completamente contraditórios. Por aqui a indignação com a arbitragem foi muito grande, e no Brasil a impressão foi de que nada de anormal ocorreu. Até agora não entendi a repetição da cobrança do pênalti do Brasil (muito duvidoso, mas que eu provavelmente marcaria, só que não expulsaria a defensora). As imagens que assisti não mostram a longa sequência até a decisão da juíza, mas estranho pois não há reação dajuíza ou da bandeirinha, que seguem normalmente sem fazer nada por vários segundos, e repentinamente começa a confusão com o cancelamento da cobrança. Desconfiando muito da FIFA, como de costume, acho que alguém deu ordem pra voltar no ouvido da juíza, para trazer emoção ao jogo. A competição vinha gerando relativamente pouca mídia e este duelo de titãs precisava de um pouco de emoção.

Meus palpites para Wimbledon foram bons, mesmos em acertar nenhum dos vencedores. Acertei as duas finalistas do feminino, mas apostei em Sharapova, e no masculino achei que Nadal e Djokovic cairiam na semi, com título de Federer, que por incrível que pareça fez uma partida quase perfeita conra o francês Tsonga, mas perdeu em 5 sets nas quartas. Foi um excelente torneio nas duas chaves, confirmando a superioridade de Nole sobre Rafa, de forma parecida com a que o espanho possui contra Federer, pois o jogo é extremamente equilibrado, mas os pontos decisivos sempre acabam com o sérvio, que merecidamente atingiu a liderança do ranking mundial, posto que deverá manter por um bom tempo (acho que no mínimo até março de 2012), devido à relativa falta de pontos para defender no restante da temporada. Quem corre risco de perder posição é Federer, que pouco pontuou em 2011 e defende muitos pontos até dezembro, especialmente o título da ATP Finals em Londres.

Também gostei dos meus pitacos (na verdade chutes) para  Mundial Sub-17. Acertei três dos quatro semifinalistas, mas errei os finalistas, pois Brasil e Alemanha foram derrotados na semi e fizeram um (suposto) jogaço na decisão do terceiro lugar. Os mexicanos aparentemente mereceram o bicampeonato, levando a torcida da casa à loucura e arrebatando praticamente todos os prêmios da FIFA.

Não assisti a final da Libertadores, mas parabenizo o Santos pela conquista merecida. E Muricy Ramalho finalmente conquistou a Libertadores ! Para mim sua chegada ao Santos foi perfeita para ambos, pois permitiu que seu estilo feio e retranqueiro se juntasse à leveza e o talento dos craques da equipe, o que levou o time a superar os adversários com o tradicional sistema 1×0 do técnico. A falta de talentos ofensivos não permitiu que o mesmo ocorresse na passagem de Muricy pelo meu Tricolor, pois na hora do aperto em mata-matas, faltava o pequeno detalhe do gol. Quando pude acompanhar os lances e notícias da decisão, percebi que o rapaz que causou a briga e apanhou dos uruguaios é um amigo meu, Éric. Fiquei triste pois o considero um cara legal, mas que foi muito infeliz ao provocar os jogadores naquele momento de raiva. Além do mais, caso tenha dito “Sou Tri !!!”, deveria saber que os uruguaios são pentacampeões da Libertadores.

Prometo retornar nos próximos dias com força total, comentando a excelente viagem a Orlando, a lamentável situação que paralisou a NBA, a World Series de Poker, e qualquer novo assunto que mereça destaque por aqui.

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Questionando o formato dos playoffs

Boston Bruins e Philadelphia Flyers nos playoffs da NHL - nhl.com

Maio é o mês onde os playoffs de duas das principais ligas norte-americanas (NBA e NHL) começam a esquentar, com as semifinais e finais das respectivas conferências. Estas ligas possuem sistema de playoffs muito semelhantes, com 16 equipes classificadas, sendo 8 em cada conferência, que são compostas por 3 divisões cada. Os playoffs dividem-se em quatro rodadas, cada uma delas disputada em uma série melhor de sete partidas, a última sempre disputada na casa da equipe de melhor campanha na temporada regular.

Eu sempre fui defensor deste formato, pois geralmente permite que a melhor equipe saia vencedora. Teoricamente, quanto mais longa a disputa, menor a chance de uma equipe inferior contar com a sorte, ajuda da arbitragem ou algum outro fator para superar um adversário superior. O formato originou-se ainda no século XIX, com disputas entre ligas rivais no beisebol americano. É provável que a disputa do título de 1884 tenha sido a primeira em formato superior a duas partidas.

Considero este formato totalmente adequado para o beisebol (MLB), pois neste esporte existe a figura do pitcher, que é o principal responsável por impedir que o adversário faça pontos, mas que devido ao stress e desgaste causado por dezenas de arremessos, não consegue atuar em partidas consecutivas, portanto uma partida é sempre diferente da anterior, já que a figura mais importante de cada time é trocada. Desta forma, a realização de múltiplas partidas torna-se necessária, para que uma equipe com conjunto superior ou mais equilibrado nas diversas posições possa vencer um adversário, mesmo que este possua um ou dois super arremessadores.

Na contramão deste modelo de múltiplas partidas está a NFL, onde as disputas restringem-se a um jogo elinminatório, devido à natureza do jogo, que causa grande desgaste físico a cada partida. Com exceção do Super Bowl, disputado em local pré-determinado (semelhante às Copas Européias), na NFL as equipes com melhor desempenho decidem esta partida única em casa, e podem aproveitar de vantagens como condições climáticas (os playoffs são disputados no inverno, e muitas vezes o campo está coberto de neve) ou o tipo de piso (grama sintética ou natural). Muitas equipes possuem elenco e estratégia apropriada para jogar em casa, aproveitando-se de alguma destas vantagens.

Meu questionamento sobre a eficácia deste formato para a NHL e NBA surgiu nesta semana, especialmente pelos resultados das últimas semanas no hóquei. Das 62 partidas disputadas até esta noite, um terço foi decidida na prorrogação, e mais da metade (55%) foi decidida apenas por um gol. Apenas 21% dos jogos apresentou vitória por 3 ou mais gols de diferença. Eu interpreto isso como extremo equilíbrio e imprevisibilidade, e portanto não sei se a realização de 3, 5 ou 7 partidas altera, ou torna mais ou menos “justo”, o resultado obtido.

No caso da NBA, a situação deste ano (e também histórica) é bastante diferente, mas isso deve-se à quantidade de pontos ser MUITO superior, e o fato de que muitos pontos que nada afetam o resultado serem anotados nos minutos finais de algumas partidas. Em mais de 130 partidas nas duas últimas edições (2010 e 2011), tivemos apenas duas partidas na prorrogação, menos de 20% dos jogos decididos por 1 a 3 pontos, e mais que isso em partidas decididas por 15 ou mais pontos. Vou analisar dados históricos da NBA, mas creio que não encontrarei grande quantidade de partidas na prorrogação ou decididas por poucos pontos, especialmente nas duas primeiras rodadas dos playoffs, portanto creio que o formato de maior quantidade de partidas permite que, na grande maioria das vezes, a melhor equipe saia vencedora do confronto.

Outra comparação entre estas duas ligas, que ajuda nesta análise, está no impacto que os principais jogadores têm no resultado do jogo. Devido ao imenso esforço necessário para patinar e ainda “jogar”, somado às inúmeras trombadas com adversários e com a cerca de vidro, um jogador de hóquei no gelo fica no rink por 20 minutos por partida, que dura 60 minutos. Desta forma, em 2/3 do tempo cada craque está assistindo de fora. A exceção fica para o goleiro, que de forma semelhante ao pitcher no beisebol, pode garantir o zero no placar e ganhar um jogo quase sozinho. Apesar disso e ao contrário do beisebol, a diferença de talento entre os goleiros não é tão grande, e praticamente todas as boas equipes possuem um ou até dois bons goleiros no elenco, o que reduz o impacto de cada um deles.

No caso da NBA, e especialmente durante os playoffs, muitas equipes utilizam apenas 8 jogadores na sua rotação, e as principais estrelas atuam por 35 a 40 minutos por partida, de um total de 48 minutos. Isto representa 75% a 80% do jogo, e num esporte com apenas 5 jogadores de cada lado, a equipe que possui os melhores jogadores individualmente geralmente se sobressaem. Vide o caso do meu Miami Heat, que oscilou muito na temporada regular mas está voando baixo nos playoffs, ancorado nos espetaculares Dwyane Wade e LeBron James.

No caso do futebol, o formato de duas partidas, utilizado há muitos anos em competições de clubes pelo mundo, me parece eficiente e ao memso tempo permite grandes emoções, pois no futebol uma equipe inferior pode superar um favorito, e duas partidas podem não ser suficientes para que o melhor time prevaleça. Considero o desempate por gols marcados como visitante interessante, mas não sei se é justo. Sei que com certeza é melhor que a decisão por pênaltis.

O que você acha desses diversos formatos de playoffs ?

Comentários sobre o Mundial de Vôlei

Tcheco Platenik tentando furar o bloqueio dos brasileiros Bruno e Lucão - FIVB.com

Daqui dos EUA, fico completamente distante do que acontece no mundo do vôlei. Apesar de achar isso ótimo, como amante de esportes eu acabo utilizando a internet para saber dos resultados, tarefa quase impossível exceto nos portais brasileiros, que aparentemente é o único país que ainda leva este esporte a sério.

Pesquisei sites nos principais portais de notícias e esportivos dos principais países que disputam o Mundial de Vôlei, e o máximo que consegui foram menções no final das páginas no italiano (sede do mundial) Corriere dello Sport, no argentino Olé e no cubano Granma, mas nada no espanhol Marca, no russo Pravda nem aqui nos EUA, seja na ESPN ou na CNNSI. A própria página oficial da competição é um lixo, revelando perfeitamente a importância deste esporte, que deve gerar baixíssimas visitas ao site e nem causa a necessidade de grandes investimentos pela FIVB, entidade que comanda o esporte no mundo.

Ao contrário de muitos, não me surpreendi nem critico a atitude dos brasileiros em entregarem o jogo na segunda rodada, para cairem em uma chave supostamente mais fraca. Para ser sincero, se todos acham que a Itália é a favorita e será beneficiada, a derrota foi uma burrice, pois o Brasil passou para a chave que provavelmente enfrentará os italianos na semifinal, o que pode impedir o time de Bernardinho de chegar à final.

Eu cresci junto com o surgimento da febre do vôlei no Brasil, e sempre pratiquei o esporte na escola, clube e na praia. Era fanático pelo jogo e torcedor fervoroso da Pirelli, nas memoráveis batalhas contra o Atlântica. Com o passar do tempo, fui perdendo gradativamente o gosto pelo esporte, e hoje acho quase insuportável, superando apenas o esporte que considero o mais idiota de todos, o handball.

Culpo dois fatores para o fato do esporte ter perdido meu apoio, e creio que tornado cada vez menos interessante para muitos, como pode ser visto pela queda de popularidade na Itália, que era uma liga riquíssima e atualmente não oferece as mesmas vantagens para os jogadores, certamente pelo interesse reduzido do público e da mídia.

O primeiro não é culpa do mundo do vôlei, mas do desenvolvimento físico dos jogadores. Ao contrário do basquete, que não pára de crescer no mundo (exceção do Brasil), o vôlei não surgiu como esporte de gigantes, e hoje tenho impressão de que a quadra e a rede são, respectivamente pequena e baixa para a realidade dos atletas, tornando o jogo completamente diferente do que fora imaginado. Acho que a FIVB deveria parar de mexer na bola, que atualmente está ridícula, parecendo brinquedo de criança, e começar a pensar em eumentar a altura da rede ou o tamanho da quadra.

O segundo fator que considero negativo foi a mudança na regra dos pontos, que tornou o jogo mais rápido, mas tenho impressão que alterou completamente a psicologia do esporte, e algo me diz que permitiu um nivelamento por baixo. Quando tiver tempo vou pesquisar estatísticas e verificar se meu feeling está correto ou não.

Voltando ao Mundial, apesar de não conhecer muitos jogadores do time atual do Brasil, creio que ainda temos o time mais forte e só não seremos campeões se der alguma zebra. Acho que as semis serão Rússia x Cuba e Itália x Brasil, com Rússia x Brasil na final, e vitória brasileira.

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