Questionando o formato dos playoffs

Boston Bruins e Philadelphia Flyers nos playoffs da NHL - nhl.com

Maio é o mês onde os playoffs de duas das principais ligas norte-americanas (NBA e NHL) começam a esquentar, com as semifinais e finais das respectivas conferências. Estas ligas possuem sistema de playoffs muito semelhantes, com 16 equipes classificadas, sendo 8 em cada conferência, que são compostas por 3 divisões cada. Os playoffs dividem-se em quatro rodadas, cada uma delas disputada em uma série melhor de sete partidas, a última sempre disputada na casa da equipe de melhor campanha na temporada regular.

Eu sempre fui defensor deste formato, pois geralmente permite que a melhor equipe saia vencedora. Teoricamente, quanto mais longa a disputa, menor a chance de uma equipe inferior contar com a sorte, ajuda da arbitragem ou algum outro fator para superar um adversário superior. O formato originou-se ainda no século XIX, com disputas entre ligas rivais no beisebol americano. É provável que a disputa do título de 1884 tenha sido a primeira em formato superior a duas partidas.

Considero este formato totalmente adequado para o beisebol (MLB), pois neste esporte existe a figura do pitcher, que é o principal responsável por impedir que o adversário faça pontos, mas que devido ao stress e desgaste causado por dezenas de arremessos, não consegue atuar em partidas consecutivas, portanto uma partida é sempre diferente da anterior, já que a figura mais importante de cada time é trocada. Desta forma, a realização de múltiplas partidas torna-se necessária, para que uma equipe com conjunto superior ou mais equilibrado nas diversas posições possa vencer um adversário, mesmo que este possua um ou dois super arremessadores.

Na contramão deste modelo de múltiplas partidas está a NFL, onde as disputas restringem-se a um jogo elinminatório, devido à natureza do jogo, que causa grande desgaste físico a cada partida. Com exceção do Super Bowl, disputado em local pré-determinado (semelhante às Copas Européias), na NFL as equipes com melhor desempenho decidem esta partida única em casa, e podem aproveitar de vantagens como condições climáticas (os playoffs são disputados no inverno, e muitas vezes o campo está coberto de neve) ou o tipo de piso (grama sintética ou natural). Muitas equipes possuem elenco e estratégia apropriada para jogar em casa, aproveitando-se de alguma destas vantagens.

Meu questionamento sobre a eficácia deste formato para a NHL e NBA surgiu nesta semana, especialmente pelos resultados das últimas semanas no hóquei. Das 62 partidas disputadas até esta noite, um terço foi decidida na prorrogação, e mais da metade (55%) foi decidida apenas por um gol. Apenas 21% dos jogos apresentou vitória por 3 ou mais gols de diferença. Eu interpreto isso como extremo equilíbrio e imprevisibilidade, e portanto não sei se a realização de 3, 5 ou 7 partidas altera, ou torna mais ou menos “justo”, o resultado obtido.

No caso da NBA, a situação deste ano (e também histórica) é bastante diferente, mas isso deve-se à quantidade de pontos ser MUITO superior, e o fato de que muitos pontos que nada afetam o resultado serem anotados nos minutos finais de algumas partidas. Em mais de 130 partidas nas duas últimas edições (2010 e 2011), tivemos apenas duas partidas na prorrogação, menos de 20% dos jogos decididos por 1 a 3 pontos, e mais que isso em partidas decididas por 15 ou mais pontos. Vou analisar dados históricos da NBA, mas creio que não encontrarei grande quantidade de partidas na prorrogação ou decididas por poucos pontos, especialmente nas duas primeiras rodadas dos playoffs, portanto creio que o formato de maior quantidade de partidas permite que, na grande maioria das vezes, a melhor equipe saia vencedora do confronto.

Outra comparação entre estas duas ligas, que ajuda nesta análise, está no impacto que os principais jogadores têm no resultado do jogo. Devido ao imenso esforço necessário para patinar e ainda “jogar”, somado às inúmeras trombadas com adversários e com a cerca de vidro, um jogador de hóquei no gelo fica no rink por 20 minutos por partida, que dura 60 minutos. Desta forma, em 2/3 do tempo cada craque está assistindo de fora. A exceção fica para o goleiro, que de forma semelhante ao pitcher no beisebol, pode garantir o zero no placar e ganhar um jogo quase sozinho. Apesar disso e ao contrário do beisebol, a diferença de talento entre os goleiros não é tão grande, e praticamente todas as boas equipes possuem um ou até dois bons goleiros no elenco, o que reduz o impacto de cada um deles.

No caso da NBA, e especialmente durante os playoffs, muitas equipes utilizam apenas 8 jogadores na sua rotação, e as principais estrelas atuam por 35 a 40 minutos por partida, de um total de 48 minutos. Isto representa 75% a 80% do jogo, e num esporte com apenas 5 jogadores de cada lado, a equipe que possui os melhores jogadores individualmente geralmente se sobressaem. Vide o caso do meu Miami Heat, que oscilou muito na temporada regular mas está voando baixo nos playoffs, ancorado nos espetaculares Dwyane Wade e LeBron James.

No caso do futebol, o formato de duas partidas, utilizado há muitos anos em competições de clubes pelo mundo, me parece eficiente e ao memso tempo permite grandes emoções, pois no futebol uma equipe inferior pode superar um favorito, e duas partidas podem não ser suficientes para que o melhor time prevaleça. Considero o desempate por gols marcados como visitante interessante, mas não sei se é justo. Sei que com certeza é melhor que a decisão por pênaltis.

O que você acha desses diversos formatos de playoffs ?

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About maesano

Entrepreneur at heart, Brazilian living in Central Virginia, father of beautiful 5-year-old twins and married to the greatest woman on Earth

Posted on 05/05/2011, in Basquete, Beisebol, Esportes, Futebol Americano, Futebol Brasileiro, Futebol Internacional, Hóquei, Vôlei and tagged , , , , . Bookmark the permalink. 2 comentários.

  1. A final da NBA continua sendo 2-3-2, ao contrário das demais fases. Neste caso, oferece ainda mais vantagem para o time de melhor campanha, pois ganhar 3 partidas seguidas é muito difícil. Acho que ocorreu apenas em 2004 e 2006, se não estou enganado.
    Meu questionamento continua sendo em relação à necessidade de séries de 7 partidas, na NBA e NHL. Acho que na MLB é o formato mais correto, pois cada jogo é diferente, mas não sei se se aplica nas demais.
    Apesar de adorar os playoffs, sinceramente acho que melhor de 5 partidas não mudaria em nada a qualidade dos jogos, ou o resultado dos confrontos.

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  2. Depois dessa aula, nao tem muito a se acrescentar!

    Eu particularmente gosto bastante das series melhor de 7, principalmente agora, na NBA, em que todas as fases sao disputadas no formato 2-2-1-1-1.

    Nao sei ao certo os numeros, mas na NBA a vantagem historica de quem joga em casa eh muito grande, entao, mesmo com o equilibrio entre as duas equipes, o top seed tem mais um fator a seu favor.

    Por fim, sobre series equilibradas e emocionantes nos ultimos anos, podemos falar sobre Celtics x Bulls em 2009: serie decidida em 7 jogos, com 7 prorrogacoes e jogos durissimos! Na sequencia, o Celtics perdeu em 7 jogos para o Orlando Magic – perdendo o jogo decisivo… em casa!

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